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sábado, 19 de maio de 2018

DA ASSISTÊNCIA  SOCIAL À AÇÃO SOCIAL
                   


No desenvolvimento das atividades para a ajuda e  amparo às pessoas necessitadas ou carentes, ao longo do tempo, tem sido desenvolvidas várias etapas, de conformidade com o conhecimento da época. Essas etapas ocorreram ao longo do tempo, como também, ocorrem ainda hoje.

         Assim, didaticamente, poderemos definir essas etapas:

a) - ESMOLA:

Consiste na doação pura e simples de algo material que socorra o necessitado em suas fundamentais carências: roupa, comida, dinheiro e outros objetos.
"Que se deve pensar da esmola?".
- Condenando-se a pedir esmola, o homem se degrada física e moralmente: embrutece-se. Uma sociedade que se baseie na lei de Deus e na justiça deve prover à vida do fraco, sem que haja para ele humilhação.". (Questão nº 888 de O Livro dos Espíritos).

b) - ASSISTÊNCIA SOCIAL:

 É o procedimento para atender as pessoas carentes em suas  necessidades materiais, de uma forma um pouco mais abrangente, com roupa e comida, dinheiro para ajudar pagar o aluguel, etc. No entanto, nessa fase, não há providências para que a pessoa seja orientada a melhorar a sua situação social, econômica e até mesmo espiritual.
" Numa sociedade organizada segundo a lei do cristo, ninguém deve morrer de fome. (questão nº 930 de o livro dos espíritos).
- com uma organização social criteriosa e previdente, ao homem só por sua culpa pode faltar o necessário. Porém, suas próprias faltas são frequentemente resultados do meio onde se acha colocado. Quando praticar a lei de Deus, terá uma ordem social fundada na justiça e na solidariedade e ele próprio será melhor". (Comentário de Allan Kardec).

c)  - ASSISTÊNCIA E PROMOÇÃO SOCIAL:

Essa forma de atendimento é mais abrangente, não só em sua forma de socorro às carências materiais, mas, também, quanto ao acompanhamento e orientação no processo de promoção da pessoa ou, mesmo, da família que se encontra desestruturada. Os procedimentos dessa fase estão bem sintetizados no aforismo chinês: “Não se deve apenas dar o peixe, é preciso, também, ensinar a pescar”, ou seja, não basta apenas assistir, prover, mas, sobretudo, promover a pessoa, a família ou a comunidade onde ela está inserida. Nessa fase tem trabalhado o Serviço Social, inclusive no aspecto profissional. Também, nessa fase tem procurado agir as instituições espíritas melhor preparadas.
" Quando bem compreendido, se houver identificado com os costumes e as crenças, o espiritismo transformará os hábitos, os usos, as relações sociais.  (Questão Nº 917 De O Livro Dos Espíritos).

d) - AÇÃO SOCIAL:

É um procedimento que não se limita apenas a constatar a miséria, a desestrutura da família, o desemprego, a injustiça social, mas procura detectar as causas e desenvolver ações que possam melhorar ou minorar tais desajustes sócio-econômico-sociais e espirituais. Nessa área é que estão agindo, atualmente, grande parte das ONGs ( Organizações Não Governamentais ), sérias e honestas.
O Movimento Espírita vem atuando ao longo dos anos, dentro do possível, com competência nas fases anteriores.
Com fundamento na Parte 3a. – Das Leis Morais – de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, o Movimento Espírita tem as diretrizes seguras para atuar na Ação Social Espírita. Esta ação social espírita deve se manifestar através da ação do espírita, de forma consciente e adequada, na transformação e melhoria das instituições sociais, conforme o esclarecimento dos Mentores Espirituais:
Em que consiste a missão dos Espíritos encarnados? – Em instruir os homens, em lhes auxiliar o progresso; em lhes melhorar as instituições por meios diretos e materiais.” ( Questão no. 573 de O Livro dos Espíritos ).
 Assim, é necessário que os espíritas com o conhecimento  dos fundamentos sociais contidos nas obras básicas, principalmente em O Livro dos Espíritos, A Gênese e Obras Póstumas, de Allan Kardec tenham capacidade para, “como espíritas”, agirem onde e quando  lhes seja possível, principalmente nas instituições ou agências sociais que possam melhorar as condições da sociedade, pois como advertiram os Espíritos: “Numa sociedade organizada segundo a lei do Cristo, ninguém deve morrer de fome” ( Questão no. 930    ).
Assim comentou Kardec: “Com uma organização social criteriosa e previdente, ao homem só por culpa sua pode faltar o necessário. Porém, suas próprias faltas são freqüentemente resultado do meio onde se acha colocado. Quando praticar a lei de Deus, terá uma ordem social fundada na justiça e na solidariedade e ele próprio será melhor”.
            A partir destas reflexões, o espírita precisa ter consciência de que para servir a pessoa e a sociedade não pode desconhecer essa ação social que se manifesta em múltiplas áreas: social, econômica, legislativa, jurídica, administrativa, educacional, empresarial e  cultural devem ajudar o homem e a sociedade a realizarem o bem comum e o processo evolutivo individual e coletivo.
            Essa ação social, sociologicamente é uma ação política, embora não necessariamente político-partidária.
Acreditamos que essas fases ou etapas não se sucedem de forma cronológica e nem se excluem, mas a atuação em cada uma delas depende do grau de conscientização do agente e também dos recursos humanos e financeiros disponíveis.
Aylton Paiva – paiva.aylton@terra.com.br


   





terça-feira, 6 de junho de 2017

AS CONVULSÕES SOCIAIS



               
              
  O mundo vive situação crítica, com confrontos por toda parte.
                Além das guerras no oriente, ações terroristas, demonstração de armamentos letais entre os Estados Unidos da América do Norte e a Coréia do Norte, a fome e a miséria campeiam em países pobres como, também, na periferia dos países do chamado primeiro mundo.
                A sociedade brasileira tem sido sacudida por escândalos de desvios milionários de verbas públicas, concorrências fraudadas e superfaturamento em licitações para obras públicas, corrupção ativa e passiva de agentes públicos e grandes empresas.
                O noticiário na mídia denunciando tais desvios na monta de bilhões, milhões de dólares envolvendo agentes públicos dos poderes: Legislativo, Executivo e grandes empresas chegam a ser assustador.
                Por outro lado reportagens nos canais de televisão mostram a carência de recursos públicos nas áreas da saúde, da educação e da segurança.
                Hospitais mal equipados, com falta de aparelhagem necessária ou instrumentos parados por falta de conserto, falta  de recursos para aquisição de remédios e procedimentos médicos em quantidade e qualidade para atender os cidadãos.
                Cadeias, presídios e penitenciarias insuficientes no atendimento minimamente humano no atendimento às suas populações, com lotações muito além do legalmente permitido em que as pessoas, ainda que infratores, têm tratamento inferior ao de muitos animais chamados irracionais. Se a pena não é um castigo do Estado, nem pode sê-lo, o processo de reeducação e ressocialização desses detidos é totalmente inexistente. São tratados pior que feras, e como feras agirão, quando novamente, puderem retornar à sociedade.
                Estados e Prefeituras “falidos” por malversação  da receita pública e desvios criminosos de recursos existentes para o atendimento dos cidadãos nas referidas áreas administrativas.
                É um panorama tenebroso.
                As pessoas atônitas, em sua análise, se estendem ideologicamente da extrema direita à extrema esquerda, gerando conflitos de relacionamento, chegando âmbito da própria família.
                Na apreciação adequada desse panorama é necessário ter valores éticos e consciência política bem definidos e, sobretudo, o suporte de valores cristãos.
                Os espíritas têm diretrizes precisas para a compreensão dos momentos difíceis que a sociedade brasileira e o mundo estão atravessando.
                Quanto à situação mundial sabemos que a humanidade está em fase de transição para o mundo de Regeneração.
                Observemos o esclarecimento de Allan Kardec em A Gênese:  “ A humanidade progride, por meio dos indivíduos que pouco a  pouco se melhoram e instruem. Quando estes preponderam pelo número, tomam a dianteira e arrastam os outros. De tempo a tempos, surgem no seio dela homens de gênio que lhe dão impulso, vêm depois, como instrumentos de Deus, os que têm autoridade e, nalguns anos, fazem-na adiantar de muitos séculos.” ( Comentário de Allan Kardec à questão nº 789 de O Livro dos Espíritos.”)
                Há que se entender, então, que o progresso é da própria condição humana, por isso o homem  não pode opor-se-lhe. A ignorância e a maldade e até mesmo leis injustas, podem retardar seu desenvolvimento, mas não anulá-lo.
                Quando instituições e leis se tornam incompatíveis com ele, a própria evolução geral se incumbe de aniquilar tais organizações e revogar ordenamentos anacrônicos.
                A voz da Espiritualidade Superior esclarece e consola: “ O século XX surgiu no horizonte do globo, qual arena ampla de lutas renovadoras. As teorias sociais continuam seu caminho, tocando muitas vezes a curva tenebrosa dos extremismo, mas as revelações do além-túmulo descem às almas, como orvalho imaterial, preludiando a paz e a luz de uma nova era.
                Numerosas transformações são aguardadas e o Espiritismo esclarece os corações, renovando a personalidade espiritual das criaturas para o futuro que se aproxima. (A Caminho da Luz, Emmanuel/F.C.Xavier, pags.207/208, ed. FEB,15ª edição.)
                Estamos em um momento de intensa alfabetização política e nesse processo o espírita conta a iluminação espiritual que emerge de As Leis Morais de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, especialmente: Da Lei de Sociedade, Da Lei do Progresso, Da Lei de Igualdade, Da Lei
de Liberdade, Da Lei de Justiça, de Amor e de Caridade.
                Esse o nosso roteiro iluminador para mais serena, tranqüila e otimista visão nessa surpreendente e dolorosa quadra de vida que coletivamente estamos vivendo.